60% são contra a PEC 55, Temer/MBL/PSDB não conseguem enganar a todos mais

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Por: Zero Hora

Seis em cada 10 brasileiros são contra a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 55) que limita as despesas da União pelos próximos 20 anos. É o que aponta a pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S. Paulo nesta terça-feira, dia em que a chamada PEC do Teto vai à votação em segundo turno — definitiva — no Senado.

Ainda segundo o instituto, que entrevistou 2.828 pessoas em 7 e 8 de dezembro, apenas 24% da população apoia a medida. Outros 4% é indiferente à PEC e 19% afirmaram não saber como responder.

De acordo com 62% dos brasileiros, a emenda trará mais prejuízos do que benefícios, contra 19% que pensam o contrário.

Apesar da rejeição à PEC, 53% afirmaram que os recursos públicos existentes hoje são suficientes, porém, mal aplicados, enquanto para 36% eles são, além de mal utilizados, insuficientes.

A desaprovação à emenda que congela os gastos é maior entre os mais jovens de 16 a 24 anos (65%) e entre os que são mais escolarizados e têm Ensino Superior (68%).



Também é maior entre as menores faixas de renda: 60% para quem recebe até dois salários mínimos e 62% para quem ganha entre dois e cinco salários mínimos. Entre os mais ricos, com mais de cinco salários mínimos, é maior a aprovação à PEC — 35%, contra 20% da população com até dois salários.

Com relação a de áreas específicas, 50% afirmaram acreditar que a saúde e a segurança devem piorar caso a PEC seja aprovada, 51% acham que a educação sofrerá com a aprovação e 47% que o transporte público e saneamento também.

A votação da PEC

Defendida pelo governo Michel Temer como um dos pilares do ajuste fiscal, a PEC que estabelece o limite para as despesas da União deve ser aprovada em definitivo nesta terça-feira no Senado ainda com divergências sobre seu impacto no dia a dia dos brasileiros.

Manutenção do quadro de falta de recursos para financiar a saúde, impacto mais pesado no Ensino Superior federal, redução de obras custeadas com recursos da União e dificuldade de reajustes acima da inflação de servidores e programas sociais estão entre os reflexos de médio e longo prazo projetados para a medida, válida por 20 anos.

Por outro lado, o governo garante que a regra de limitar as despesas da União ao gasto do ano anterior mais inflação conterá a expansão da dívida pública, com melhora no ambiente de negócios, refletindo na geração de emprego e renda. Em 2016, o país terá o terceiro ano de déficit (R$ 170,5 bilhões), sendo que em 2017 também há previsão de rombo de R$ 139 bilhões.