Empresário confirma propina ao tucano Pedro Tacques, amigo de Moro

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A menos de um mês, Moro participava de evento,palestrando e confraternizando ao lado do governador tucano, Pedro Tacques do Mato Grosso, Tacques é acusado por empresário, de receber propina e entregou os dados no âmbito da Operação Rêmora.

Jota Info

Depois de deflagrada operação, governador teria dito que iria “dar um jeito de resolver”
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Kalleo Coura

mpresário Alan Malouf, preso no âmbito das investigações da Operação Rêmora, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Mato Grosso, afirmou em depoimento ao órgão que ele quitou dívidas não declaradas de campanha do governador Pedro Taques (PSDB) nas eleições de 2014.



Ele disse que “no final da campanha houve um débito eleitoral não declarado, sendo que Pedro Taques pediu apoio para pagamento deste débito”. O empresário afirmou que “auxiliou nesta composição”, embora diz não se recordar do valor.

Antes do pedido para quitar a dívida de campanha, segundo Malouf, Taques teria perguntado se ele “teria alguma pretensão em ocupar cargo no Executivo”, mas ele respondeu que não. Malouf fazia parte de um grupo de empresários que apoiava a candidatura de Taques ao governo.

O depoimento confirma em parte o teor da delação premiada fechada pelo empreiteiro Giovani Belatto Guizardi, suspeito, junto com Malouf, de compor um cartel que fraudou ao menos 23 obras de construção ou reforma de escolas públicas em valor superior a R$ 56 milhões no estado do Mato Grosso.

Guizardi havia afirmado ter entregue R$ 300 mil reais em dinheiro vivo a Alan Malouf para que a quantia fosse repassada à campanha do governador do Mato Grosso Pedro Taques (PSDB) em 2014. Além disso, Malouf teria lhe dito que ele próprio havia doado R$ 10 milhões não declarados à campanha e que “teria que recuperar esse valor investido junto ao Estado”.

No interrogatório, Malouf afirmou ter recebido R$ 260 mil, em três ou quatro vezes, de Giovani Guizardi, do esquema de corrupção montado na secretaria de educação.

Quando Guizardi foi preso, Malouf diz ter procurado o governador e seu primo Paulo Taques, secretário da Casa Civil do Estado, para lembrá-los que o empreiteiro teria doado R$ 200 mil não declarados e que ele próprio teria recebido uma “devolução de valores de Giovani, oriundo do esquema que estava sendo descoberto na operação”.

O governador, então, teria dito que iria “dar um jeito de resolver” o assunto, mas Malouf não percebeu qualquer movimento neste sentido. Com o andamento das investigações e a prisão do então secretário de educação Permínio Filho, Malouf diz ter voltado a falar com Taques, que não teria demonstrado surpresa diante das prisões e teria dito que “estava cuidando da questão”.

Malouf relatou ainda ter entregue R$ 40 mil ao presidente da Assembleia Legislativa Guilherme Maluf (PSDB). O dinheiro “era parte do Guilherme na Secretaria de Educação” já que sem a anuência de alguns funcionários indicados por ele “não seria possível a concretização do esquema”.  Malouf relata também um pagamento, sem citar o valor, feito ao ex-secretário de educação Permínio Filho.



Outro lado
Em nota o governo do Mato Grosso afirmou que:

01) O governador Pedro Taques e o secretário da Casa Civil, Paulo Taques, negam enfaticamente as afirmações levianas e absurdas do investigado Alan Malouf sobre a fantasiosa existência de valores não contabilizados (o chamado “caixa dois”) na campanha de 2014, e reiteram que todas as movimentações financeiras do referido pleito eleitoral encontram-se devidamente registradas na Prestação de Contas do PDT, partido pelo qual Pedro Taques disputou àquelas eleições – inclusive as despesas ainda não pagas – sendo que a prestação de contas da campanha foi aprovada sem ressalvas pela Justiça Eleitoral.

02) O governador e o secretário afirmam, ainda, que Alan Malouf jamais exerceu qualquer cargo ou delegação na arrecadação de fundos eleitorais, e que todas as doações, de pessoas físicas ou jurídicas (na época, permitidas) foram devidamente registradas. Portanto, caso haja qualquer valor que eventualmente tenha sido movimento pelo investigado e que não esteja contabilizado, não foi utilizado na campanha, cabendo apenas e tão somente ao investigado esclarecer origem e destino dos valores por ele mencionados.

03) O governador e o secretário classificam as declarações do investigando como uma tentativa sórdida e mentirosa de envolvê-los em ações criminosas das quais jamais tiveram conhecimento, tampouco delas deram ordem ou participaram. Lamentam, ainda, que o investigado tente envolvê-los nos atos ilegais, contrariando todos os demais depoimentos já prestados nessa investigação – com o claro propósito de desviar o foco das acusações que pesam contra si -, e informam que constituirão advogados para atuar no processo judicial e garantir que a verdade prevaleça. E a verdade é uma só: Pedro Taques tem uma vida de luta contra a corrupção e os corruptos, já tendo enfrentado e desmantelado inúmeras quadrilhas que agiam no Estado e no país, e jamais compactuaria com qualquer ato ilegal, especialmente relacionado a desvios de recursos públicos.

04) Por fim, o Governo do Estado esclarece que, embora o investigado tenha mantido relacionamento social com Pedro Taques, suas empresas jamais venceram qualquer licitação ou contrato na administração estadual a partir de 01 de janeiro de 2015, uma vez que o governador, por estrita obediência às leis, nunca interferiu e jamais interferirá em qualquer processo de aquisição ou licitação no âmbito do Governo do Estado ou em qualquer outro Governo.