Roraima pediu ajuda sobre situação de presídio desde novembro, ofícios comprovam, Ministro mentiu

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Jornal do Brasil
Ofícios enviados ao ministro da Justiça, Alexandre Moraes, mostram que a governadora de Roraima , Maria Suely Campos pediu, em novembro de 2016, ajuda para controlar rebeliões e brigas entre facções. A ajuda acabou sendo negada. Na madrugada desta sexta-feira (6), 33 presidiários foram assassinados em presídio de Roraima durante conflito.

Nos ofícios enviados a Alexandre de Moraes, a governadora solicita em caráter de urgência apoio do governo federal, bem como da Força Nacional de Segurança “em virtude dos últimos acontecimentos no sistema prisional do Estado de Roraima”.

Maria Suely Campos solicita a doação de 180 pistolas que deveriam ser destinadas ao controle penitenciário. Ela cita ainda que o sistema carcerário em Roraima encontrava-se sob grande clima de tensão.

Em ofício de novembro, governo de Roraima pede ajuda
Em ofício de novembro, governo de Roraima pede ajuda

No documento, consta a descrição de uma crescente tensão entre membros do CV (Comando Vermelho) e do PCC (Primeiro Comando da Capital), desde agosto de 2016. Como precaução, os membros do Comando Vermelho teriam sido isolados em uma ala “a fim de resguardá-los”, segundo o documento.



Em resposta, o Ministério da Justiça afirmou que “apesar do reconhecimento da importância do pedido de Vossa Excelência, infelizmente, por ora, não poderemos atender ao seu pleito”.

Na tarde desta sexta (6), o ministro Alexandre de Moraes afirmou que o pedido de Roraima foi negado pois se tratava de uma solicitação de auxílio à “segurança pública” comum, decorrente da presença de traficantes vindos da Venezuela, e não referente a problemas em presídios.

Ministério da Justiça responde afirmando que não poderá atender ao pleito
Ministério da Justiça responde afirmando que não poderá atender ao pleito

“Roraima solicitou o envio da Força Nacional para fazer segurança pública, não para fazer segurança penitenciária. Na época, mandamos uma comissão e o pedido foi feito em virtude da questão dos venezuelanos, da entrada maior deles. Nós mandamos para lá a comissão para verificar a situação e aumentamos o efetivo da Polícia Federal, mas não havia necessidade da Força Nacional”, disse o ministro.