Documentos do Wikileaks que provam que Temer entregava informações do Brasil aos EUA

temer cara de derrotado




 
Esquerda Diário
As transmissões dos arquivos teriam sido feitas no dia 11 de janeiro 2006 (quarta-feira), às 14h02 e no dia 21 de junho 2006 (quarta-feira), às 16h05. Não há informações sobre o fuso horário da entrega. Temer passaria sua visão de como estava a situação política no Brasil na época. São opiniões sobre as eleições que ocorreriam em 2006, quando Lula foi reeleito.

Segundo os arquivos compilados sob o despacho “ Chefe do PMDB reafirma a posição do partido como intermediário de poder, mas nega prever resultado da corrida presidencial ”, Temer criticava a “ênfase excessiva nos programas sociais que não promovem o crescimento e o desenvolvimento econômico”. Outro documento diplomático publicado também pelo WikiLeaks e com data de 21 de junho de 2006 identifica o cônsul-geral da administração Bush como o interlocutor de Temer nestas reuniões.



Temer teria analisado cenários em que o PMDB poderia ganhar as eleições. Nos documentos, ele também fala sobre as diferenças entre Lula e Fernando Henrique Cardoso. Em uma das frases citadas no texto, Temer teria dito que “as classes C, D e E acreditam que Fernando Henrique roubou dos pobres e deu para os ricos. Já Lula roubou dos ricos para dar aos pobres”.

Temer sem dúvida não conhece a etimologia do adjetivo “pobre”, já que Lula mesmo confessou que nunca nenhum governo fez os banqueiros e empresários enriquecerem tanto. O próprio americano diz que, junto a políticas como o Bolsa Família, o salário mínimo e políticas assistencialistas, grande monopólios financeiros e banqueiros lucraram no governo Lula.

Os telegramas falam ainda sobre uma possível disputa entre um candidato do PMDB com Lula, caso não houvesse acordo entre os partidos. O nome de Anthony Garotinho teria sido cogitado neste momento, mas haveria uma resistência no PMDB. Germano Rigotto, na época governador do Rio Grande do Sul, e Nelson Jobim, ex-ministro da Defesa, também foram cogitados.

Em outro trecho do documento, Temer se negou a prever como ficaria a corrida eleitoral. Na ocasião, ele confirmou que o seu partido não apresentava candidatos à presidência e que o PMDB não seria aliado do PT e nem do PSDB, pelo menos até o segundo turno.

Temer disse que o PMDB elegeria, naquele ano, entre 10 e 15 governadores pelo país. O partido teria também as maiores bancadas no Senado e na Câmara dos Deputados. Sendo assim, o presidente que fosse eleito teria que se reportar ao PMDB para governar. “Quem quer que vença a eleição presidencial terá que vir até nós para fazer qualquer coisa”, disse Temer.



O documento, assinado pelo (então cônsul Christopher) McMullen, também contém duros comentários do diplomata sobre o partido de Temer.

O verdadeiro problema com o PMDB é que não tem uma ideologia ou uma estrutura política que lhe permita elaborar e implementar uma agenda política nacional coerente“, escreve McMullen, ao definir este partido como “uma coalizão de caciques regionais oportunistas”. Ao menos quanto ao qualificativo, o agente do imperialismo norteamericano não se equivocava. Assim como não erra quando faz o comentário – depreciativo demais para ser feito ao vivo para sua fonte de informação – de que “Temer mencionou o PSDB e o PFL como partícipes do Mensalão, mas não o seu próprio PMDB, embora as críticas aos outros possam facilmente ser aplicadas ao seu partido”.

Temer era identificado pelo funcionário da administração George W. Bush como a ala “anti-Lula” do PMDB, ao contrário de Renan Calheiros. Sobre Temer, diz que “o tipo de controle que temer ambiciona daria ao PMDB a oportunidade de avançar em seus desígnios de clientelismo político às custas do contribuinte, já que são um veículo de clientelismo […] Apesar da história ilustre do partido como o guia que conduziu o Brasil da ditadura militar para a democracia, o PMDB é um partido dificilmente adequado para a tarefa de direção política”. A desconfiança da burguesia internacional com Temer e o PMDB, questionando sua capacidade de disciplinar a luta de classes no Brasil e estabilizar um teatro de investimentos para o capitalismo estrangeiro ainda estampa as capas dos jornais.

Atravessando os anos e saindo do momento em que era deputado federal por São Paulo para chegar à posição de presidente interino fruto de um golpe institucional da direita, Temer terá em seu gabinete um ministério recheado de políticos com relações com o Departamento de estado norteamericano e os monopólios ianques. O mais notável deles é José Serra, que ficará com o Itamaraty, foi citado inúmeras vezes em documentos do Wikileaks como portavoz dos interesses das companhias de petróleo norteamericanas. Ou mesmo o general Sérgio Etchegoyen, militar sionista de família de tradição golpista e torturadora, com amplas relações com o lobby sionista patrocinado pelos EUA, cuja família tem um prontuário de serviços prestados à ditadura, assumirá a pasta de Segurança Institucional.

O primeiro discurso de Temer teve alvo claro: agradar os mercados estrangeiros e anunciar que investirá contra os trabalhadores e juventude. Ajustes, privatizações, reformas trabalhista e previdenciária, bom ambiente de negócios para o setor privado, um lobby para convencer a desconfiada imprensa internacional de que não é mais o chefe de “uma coalizão de caciques regionais sem ideologia” e está apto a aplicar grandes ataques sem resistência. Para isso, chama um “governo de salvação nacional” a serviço da “unidade e da ordem”. Um canto que cairá sobre ouvidos surdos, se depender da juventude que está ocupando escolas e que no dia seguinte à posse já sentiu na pele, pela repressão da PM paulista, o que Temer quis dizer com “é preciso pacificar o país”.

Esta juventude, vanguarda nacional da resistência contra os ataques dos governos, pode inspirar a entrada em cena do movimento operário contra os ataques deste governo golpista. Não à toa, torna-se o alvo número um da burguesia que busca extrair os frutos do impeachment e preparar uma nova relação de forças entre as classes mais favorável a si, e mais adequada ao giro à direita na superestrutura política.

É da força dessas lutas, da onda de ocupações de escolas pelos secundaristas em diversos estados e as greves nas universidades estaduais paulistas que devemos dizer: abaixo o governo golpista de Temer! e impor o questionamento de toda esta democracia “do suborno e da bala”. Temer e a burguesia que se encarrilha atrás dos golpistas buscam uma reforma política que relegitime o regime político burguês, junto à reacionária Operação Lava Jato, para aplicar ataques mais duros que os que vinha aplicando o PT, e seguir liquidando os direitos democráticos elementares que são cotidianamente violados nos morros e favelas. Nenhum combate à impunidade, à corrupção e ao velho sistema político pode vir das mãos das oligarquias que agora compõem um governo chefiado por um informante dos serviços de inteligência norteamericanos.

Contra essa perspectiva, defendemos uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana que nos desvencilhe de uma Constituição aplaudida por Temer e seus comparsas mas que foi tutelada pelos militares, cria superpoderes arbitrários ao judiciário, que ajuda a que tenhamos um parlamento tão reacionário, e assim em uma nova Constituição contra todo este regime imponha pela luta dos trabalhadores que todos os juízes sejam eleitos, revogáveis e recebam o mesmo salário de uma professora, e o mesmo para os políticos de alto escalão, que faça os capitalistas pagarem pela crise, expulse o imperialismo e contribua para que os trabalhadores assumam nas mãos a luta por uma forma superior de governo, um governo dos trabalhadores anticapitalista.