Flávio Bolsonaro se irrita com proposta de CPI das milícias

Valor Econômico

BRASÍLIA – (Atualizada às 18h35) – O senador do Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro (PSL) criticou a proposta de criação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) com foco nas milícias. “A CPI das milícias nada mais é do que a tentativa midiática de alguns explorarem politicamente o assunto, mais nada. Não tem nenhuma efetividade, basta ver quem é o autor do projeto”, disse, referindo-se ao deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ).

Flávio Bolsonaro defendeu a criação do que considera mecanismos melhores de investigação e punição para pessoas que exploram trabalhadores nas comunidades.

Policiais já homenageados por Flávio ao longo de sua atividade legislativa são suspeitos de integrar milícias. O senador disse que as homenagens foram feitas há cerca de 15 anos e que não pode se responsabilizar por “atos errados” que as pessoas venham a cometer no futuro.

Mais tarde, o senador se manifestou no Twitter sobre esta notícia do Valor, dizendo ter sido claro ao afirmar “que o único objetivo dessa CPI é tentar fortalecer a narrativa absurda” de que ele tem algum envolvimento com milícias. “Sou contra QUALQUER poder paralelo!”, disse Flávio Bolsonaro.

Na última sexta feira, dois prédios desmoronaram na zona oeste do Rio de Janeiro. Segundo o Ministério Público, a região é comandada por milicianos. O líder do poder paralelo é, diz o MP, o ex-policial militar Adriano da Nóbrega. A mãe e a filha de Adriano eram nomeadas no gabinete na Alerj de Flávio Bolsonaro.

Em 2008, quando Flávio era deputado estadual, uma CPI foi instalada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para apurar denúncias sobre o tema. O grupo foi presidido pelo hoje deputado federal Marcelo Freixo.

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O partido de Freixo coleta assinaturas para instaurar comissão semelhante na Câmara dos Deputados agora. O deputado federal do PSOL chegou a entregar ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o relatório final da CPI instaurada na Alerj.

Freixo

Freixo rebateu as críticas. “Flávio Bolsonaro não tem moral para se pronunciar sobre milícias. Deveria ter vergonha! Depois de homenagear assassinos e empregar parentes fantasmas de milicianos em seu gabinete, ainda se vê no direito de criticar uma CPI”, disse Freixo.