Revista inglesa defende boicote contra o Brasil por política de Bolsonaro

Texto de Vivian Oswald na Revista Época.

A revista britânica “Newstatesman” defende uma reação dura contra as queimadas na Amazônia. “Agora é hora de ser agressivo. Boicote os produtos brasileiros. Faça da associação com o Brasil uma mancha feia para as companhias internacionais, e peça que mudem seus negócios. Faça seu governo adotar uma linha dura contra Bolsonaro. Se for preciso discutir a possibilidade de se adotarem sanções, que seja”, diz um trecho de texto publicado na última edição e o segundo mais popular no site da publicação. No Reino Unido, pesquisa realizada pelo instituto Ipsos Mori indica que 85% dos britânicos temem a mudança do clima. Trata-se do maior percentual desde que a entidade começou a medir do sentimento da população a respeito do tema desde 2005. Esse é um dos pontos em que os britânicos estão alinhados com os europeus do continente. Pesquisa de opinião realizada este ano com eleitores da União Europeia (UE) mostram que 77% deles consideram o aquecimento global critério importante para escolher um candidato. A posição da opinião pública explica as manifestações diante de várias embaixadas do Brasil pelo continente europeu esta semana e os pedidos de boicotes a produtos “made in Brazil”.


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Queimadas na Amazônia – Foto aérea mostra fumaça em trecho de 2 km de extensão de floresta, a 65 km de Porto Velho, em Rondônia, em 23 de agosto de 2019 — Foto: Carl de Souza/AFP

Se, por um lado, é legítima a preocupação do cidadão comum, os lobbies também se valem dela para tentar contrabandear os seus interesses comerciais. A pressão é antiga e, de certa forma hipócrita, porque esconde protecionismo. Mas a tendência é que ela deve se acentuar, usando como combustível os incêndios na Amazônia e declarações recentes do governo brasileiro em relação ao meio ambiente. França e Irlanda, países que saíram na dianteira para avisar que não ratificariam o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, estão entre aqueles cujos lobbies agrícolas são fortes. Nem os próprios europeia se entendem ente si. Neste domingo, o primeiro- ministro britânico, Boris Johnson, criticou o presidente francês Emmanuel Macron pela decisão se bloquear o acordo entre o Mercosul e a UE para pressionar o Brasil com a questão da Amazônia.



Revista inglesa Newstatesman detona Bolsonaro. Foto: Reprodução

No Reino Unido, existe a chamada Mesa Redonda da Soja, instância da qual participam empresas varejistas, com o apoio implícito do governo, para fixar exigências a fornecedores. Eles defendem que não se deve importar a soja de áreas desmatadas. Ou seja, deve-se comprar do Brasil apenas a chamada soja premium, mas, segundo eles, pelo preço da soja mais barata.

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