Risco de calote do Brasil se iguala ao de Honduras e Bangladesh

Via BBC Brasil

Ao rebaixar a nota de crédito do Brasil de “BB” para “BB-“, a agência de classificação de riscos Standard & Poor’s colocou o país em um grupo onde estão Bangladesh, Costa Rica, Georgia, Guatemala, República Dominicana, Honduras e Macedônia.

A nota BB- faz com que esses países fiquem três patamares abaixo do grau de investimento –uma espécie de selo de bom pagador e, por isso, indicador se determinada região é segura para investidores. Sem esse selo, fica mais difícil, por exemplo, captar recursos no exterior.




No relatório, a agência aponta que o atraso no avanço das reformas para conter gastos fiscais e a incerteza política são as principais fraquezas da nota de crédito do Brasil.

“Apesar dos vários avanços políticos do governo Temer, fez progressos mais lentos do que o esperado ao criar leis relevantes para corrigir a derrapagem fiscal estrutural (…). Atrasos no avanço das medidas fiscais corretivas, essenciais para encarar uma das principais fraquezas da classificação do Brasil, juntamente à incerta perspectiva política após as eleições presidenciais de 2018, refletem a fraca efetividade da classe política do Brasil em formular políticas públicas”, escreveu a S&P.




O Ministério da Fazenda divulgou nota afirmando que o governo federal mantém o comprometimento com a consolidação fiscal.

“A S&P ressalta a necessidade e urgência da aprovação de propostas de consolidação das contas públicas pelo Congresso Nacional, como a reforma da Previdência, além do adiamento do reajuste e o aumento da contribuição previdenciária dos servidores públicos, corroborando as propostas da equipe econômica”, diz trecho do texto.

Governo previa rebaixamento

A decisão da agência, contudo, não pega o governo de surpresa. Em outubro do ano passado, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já havia declarado ser “absolutamente normal” que a S&P diminuísse novamente a nota de crédito do Brasil se o governo fracassasse em aprovar a reforma da Previdência.

A atual proposta em discussão no Congresso prevê idade mínima para se aposentar (65 para homens e 62 para mulheres), tempo mínimo de contribuição para se ter direito ao benefício (15 anos na iniciativa privada e 25 para servidores públicos), o fim do benefício apenas por tempo de serviço e limites à aposentadoria integral, restrita apenas a quem contribuir por 40 anos.

Temer conseguiu aprovar a reforma trabalhista, mas precisou desidratar o projeto inicial da Previdência, dada a dificuldade de aprová-la no Congresso. Além disso, a análise ficou para este ano. Segundo especialistas, o fato de 2018 ser um ano eleitoral dificulta ainda mais a aprovação de uma mudança nas regras da aposentadoria.

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A S&P foi a primeira agência a dar o selo de bom pagador para o Brasil, em 2008, quando subiu a nota de crédito para títulos em moeda estrangeira de BB+ para BBB- e para título em moeda local de BBB para BBB+. Também foi a S&P a primeira a rebaixar o Brasil, em setembro de 2015, tirando o país do grupo de nações consideradas de pouca possibilidade de inadimplência.

A perda do grau de investimento tende a enxugar e encarecer o crédito (ou seja, o dinheiro disponível para empréstimos) para um país e para as empresas ali sediadas. Esse rebaixamento também contribui para uma saída de dólares e o enfraquecimento da moeda local.

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