Temer reserva embaixadas para seus parceiros não perderem foro privilegiado

Michel Temer está reservando algumas embaixadas brasileiras para para que sejam ocupadas, a partir de 2019, por seus aliados mais próximos que, nestes postos, manteriam “a prerrogativa de foro que, segundo os artigos 86 e 87 do Código de Processo Penal, inclui também os embaixadores”, segundo informa a jornalista Helena Chagas




Por Fernando Brito, editor do Tijolaço – A jornalista Helena Chagas, em texto publicado hoje no site Os Divergentes, diz que Michel Temer está reservando algumas embaixadas brasileiras para para que sejam ocupadas, a partir de 2019, por seus aliados mais próximos que, nestes postos, manteriam “a prerrogativa de foro que, segundo os artigos 86 e 87 do Código de Processo Penal, inclui também os embaixadores.”

Quem prestou atenção na recente dança das cadeiras anunciada no Itamaraty – e informada em primeira mão por Denise Chrispim Marin aqui n’Os Divergentes – percebeu que postos como Lisboa, Paris e Roma não sofreram mudanças ainda. Essas embaixadas têm hoje como titulares ex-ministros e ex-assessores importantes dos governos do PT, como o ex-chanceler Luiz Alberto Figueiredo (Lisboa), o também ex-chanceler Antônio Patriota (Roma) e o ex-chefe do cerimonial de Lula Paulo Oliveira Campos (Paris).




Diz Chagas que ” que o Planalto e o Ministério das Relações Exteriores estão guardando esses lugares, sem nomear para eles novos titulares agora, para o próprio Temer e outros auxiliares objeto de investigações da Lava Jato, como os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha, que não deixaram seus cargos para concorrer na eleição e, portanto, perderão o foro privilegiado quando acabar o governo.” Além desses, outros nomes, como o do próprio chanceler Aloysio Nunes Ferreira, podem ser indicados para esses postos.

Mas como Temer e seus amigos conseguiriam isso? Fazendo um acordo ainda na campanha, ou entre o primeiro e o segundo turno, ou mesmo logo após a eleição, com o candidato vencedor, seja ele qual for. Com exceção de Jair Bolsonaro, com suas reações imprevisíveis, qualquer presidente eleito sabe que precisará do MDB de Temer – que deve fazer uma das maiores bancadas do Congresso – para governar.

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Vindo de Michel Temer, não é surpresa, embora seja absurdo. Ou não, pois, como diz a jornalista, “em vez de Curitiba, Lisboa, Paris e Roma” não é nada mau.