14/04/2026
A China deixou claro diretamente que tem acordos com o governo iraniano e que ninguém deve interferir nesses assuntos. Além disso, a China aprovou uma nova legislação que pode aprovar a China reagir mais energicamente, para além da diplomacia, em assuntos internacionais que afetam seus interesses nacionais.
Segundo a RT Brasil, Pequim também demonstrou interesse em agir diplomaticamente. “O porta-voz afirmou que ‘a China está disposta a continuar desempenhando um papel positivo e construtivo’.” Guo Jiakun apontou que as tensões têm origem no conflito entre o Irã e defendeu uma resolução imediata. “Alcançar um cessar-fogo e pôr fim às hostilidades o mais rápido possível” é a solução, afirmou.
Contudo, ao mesmo tempo, aprovou uma nova regulamentação que permite a China agir de maneira mais incisiva no cenário internacional em que venham a interferir em seus interesses nacionais vitais, como no caso do Estreito de Ormuz, onde a maior parte das exportações iranianas tem como destino a China.
Surpreendendo um total de zero pessoas (não trumpistas), a China está ignorando o "bloqueio" imposto pelos Estados Unidos às exportações iranianas de petróleo.
— Ricardo Leães (@LeaesRicardo) April 14, 2026
Era esperado que isso aconteceria. Mais de 90% do petróleo iraniano vendido ao exterior vai para a China. Desse modo, a… https://t.co/CoRYuQDIND
Trata-se do Regulamento da República Popular da China sobre o Combate à Jurisdição Extraterritorial Indevida por Países Estrangeiros, a nova regulamentação no mesmo dia que Trump anunciou o bloqueio do bloqueio do Estreito de Ormuz, não pode ser apenas uma coincidência.
Pequim deixa de apenas reagir diplomaticamente e passa a operar uma estrutura ofensiva que permite anular, dentro de sua esfera de influência, os efeitos de normas externas que colidam com seus interesses nacionais. O caso do bloqueio do Estreito de Ormuz por Trump e sua armada, se enquadra no art.6º da nova legislação chinesa.
“Artigo 6º. O departamento de assuntos jurídicos do Conselho de Estado, em conjunto com outras autoridades competentes, realizará trabalhos de identificação sobre medidas de jurisdição extraterritorial indevidas por parte de países estrangeiros e poderá conduzir investigações e consultas com partes estrangeiras. Organizações e indivíduos relevantes poderão apresentar sugestões ao departamento de assuntos jurídicos do Conselho de Estado sobre a realização de trabalhos de identificação.
Os seguintes fatores devem ser considerados ao identificar medidas indevidas de jurisdição extraterritorial por entidades estrangeiras:
(a) Se viola o direito internacional e as normas básicas das relações internacionais;
(ii) Se a conexão entre a conduta sujeita à jurisdição extraterritorial de um estado estrangeiro e esse estado é apropriada;
(iii) Se põe em risco a soberania nacional, a segurança e os interesses de desenvolvimento da China, ou prejudica os direitos e interesses legítimos dos cidadãos e organizações chinesas;
(iv) Outros fatores que devem ser considerados.”
BREAKING: US-sanctioned tanker, Chinese-owned Rich Starry, transited through the Strait of Hormuz on Tuesday despite a US blockade of the vital oil chokepoint, shipping data from LSEG showed. pic.twitter.com/yrIRltDvrI
— Al Jazeera Breaking News (@AJENews) April 14, 2026
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Ao institucionalizar essa retaliação, a China redefine as regras de engajamento no cenário internacional, forçando multinacionais e instituições financeiras a escolherem entre o cumprimento das ordens de Washington ou a sobrevivência no gigantesco mercado asiático.
Na prática, isso justifica ações mais duras e incisivas contra as ações dos EUA.
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