Bolsonaro quer tirar alunos da escola com educação à distância

Jair Bolsonaro defende educação à distância até para os alunos de Ensino Fundamental. Para Bolsonaro, o aluno poderia ir às escolas apenas para fazer provas e aulas práticas, a depender da disciplina. O candidato disse ainda que esse regime ajuda a “baratear” o ensino




O segundo turno é época de comparar propostas sobre temas importantes para o país. Neste 15 de outubro, Dia dos Professores, a educação foi o tema central. Fernando Haddad (PT) tem na bagagem a experiência como ministro da Educação no governo Lula. Criou o Fundeb, o piso nacional dos magistrados, o Prouni, ampliou o número de creches, ampliou e reestruturou o Fies, ajudou a elevar o orçamento da educação para 6% do PIB nacional (e propõe agora levar a 10%).

Entre as suas muitas propostas de governo, estão uma nova reforma do Ensino Médio e a ampliação da educação integral – quanto mais tempo crianças e adolescentes passam nas escolas, mais inclusão.



Já Jair Bolsonaro vai na direção contrária. Afirma em seu programa de governo que dará ênfase à educação infantil, básica e técnica. Mas não dá detalhes. A plataforma fala de forma vaga que o conteúdo e método de ensino precisam ser mudados. “Mais matemática, ciências e português”, diz o texto.

Bolsonaro pretende incluir no currículo escolar as matérias educação moral e cívica (EMC) e organização social e política brasileira (OSPB), disciplinas herdadas da ditadura militar.

O candidato tem ainda intenção de ampliar o número de escolas militares, fechando parcerias com as redes municipal e estadual. No mais, a proposta de Bolsonaro para a educação parece ser justamente acabar com a educação pública e tirar os alunos da escola.

Ao contrário de Haddad, que quer o aluno mais tempo na escola, Bolsonaro defende educação a distância até para os alunos de Ensino Fundamental. Para Bolsonaro, o aluno poderia ir às escolas apenas para fazer provas e aulas práticas, a depender da disciplina. O candidato disse ainda que esse regime ajuda a “baratear” o ensino. Ele argumentou que esse tipo de metodologia pode ajudar a combater o “marxismo” que ele diz ver nas escolas.

“Conversei muito sobre ensino a distância. Me disseram que ajuda a combater o marxismo. Você pode fazer ensino a distância, você ajuda a baratear”, afirmou o presidenciável, ao ser questionado por jornalistas sobre propostas para a educação.

Perguntado sobre em qual etapa da educação pretendia investir no ensino à distância, respondeu: “No fundamental, médio, até universitário. Todos podem ser à distância, depende da disciplina. Fisicamente em época de prova ou aula prática”. Preocupado com o que ele chama de “doutrinação ideológica das crianças”, o presidenciável ignora o fato de que tirar as crianças da escola exigirá ter um adulto em casa para cuidar delas. Ou seja, o pai ou mãe terão de largar seu emprego.

Com uma campanha toda pautada pelas notícias falsas, Bolsonaro também tem se colocado contra um suposto kit gay – que não existe nem nunca existiu – que Haddad teria distribuído nas escolas, fato já desmentido por diversas agências de checagem de informação. O que Haddad realmente distribuiu foi comida de verdade para a merenda escolar (pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar) e ônibus, lanchas e bicicletas para transporte escolar (pelo programa Caminho da Escola). Haddad foi também o ministro da Educação que mais distribuiu oportunidades para as pessoas cursarem o Ensino Superior:




Como disse Fernando Haddad, a fake news do kit gay é um desrespeito aos professores: “Você acha que uma professora brasileira primária ia aceitar esse tipo de coisa dentro da sala de aula? É um desrespeito ao magistério, é um desrespeito às professoras, é uma mentira deslavada de quem não tem projeto”.

Fonte: Agência PT de notícias, BBC e programa de governo de Bolsonaro e O Globo

Via Vermelho

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