Jornalistas estrangeiros estranham decisão de Bolsonaro de não dar entrevistas

Célia Froufe e Jamil Chade, enviados especiais

Davos

Jornalistas de vários países têm questionado a imprensa brasileira sobre o motivo pelo qual o presidente da República, Jair Bolsonaro, não dará a tradicional entrevista coletiva que costumam conceder chefes de Estado e de governo quando participam do Fórum Econômico Mundial. O presidente empossado em 1º de janeiro faz da participação no evento voltado para a elite financeira nos Alpes suíços sua primeira aparição internacional. Davos será, portanto, uma vitrine de Bolsonaro para o mundo.
Ao chegar a seu hotel no vilarejo conhecido por sua estação de esqui, ele evitou a imprensa, entrando em seu hotel pela garagem. Minutos depois, no entanto, desceu ao hall do hotel em que está hospedado e deu uma breve entrevista.

A curiosidade em torno do presidente brasileiro é grande, principalmente num contexto em que grandes lideranças mundiais não comparecerão ao evento, que reunirá 3 mil pessoas.

A programação oficial conta com um discurso do presidente na terça-feira, 22, às 15h30 (12h30 de Brasília), que é bastante aguardado por causa da expectativa de que ele dê algum detalhe sobre o que pretende fazer na reforma da Previdência Social. Na Suíça, ele é acompanhado de cinco ministros.

O grande ponto entre os profissionais da imprensa é se a decisão de Bolsonaro tem relação com a crise envolvendo o seu filho, o deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

O filho do presidente disse que não lhe foi concedida a oportunidade de esclarecer as movimentações atípicas às autoridades competentes antes que a investigação fosse aberta. Ele foi convidado a depor em 10 de janeiro, mas não compareceu justificando que queria ter primeiro acesso aos autos do processo.

Leia também: