Lula diz que Brasil é governado por um ”bando de malucos”

Revista Fórum

Após um ano silenciado, o ex-presidente Lula deu sua primeira entrevista na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde se encontra preso. Florestan Fernandes Junior, do El País, e Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, foram os primeiros jornalistas que ouviram o ex-presidente no encontro que durou pouco mais de duas horas nesta sexta-feira (26). Ele falou da vida na prisão, da morte do neto, do governo de Jair Bolsonaro, das acusações de corrupção que sofre e da possibilidade de nunca mais sair da prisão.



“É o Lula de sempre. Ele está igual. Quem esperava vê-lo envelhecido ou derrotado, se frustra. Ele tem fúria. E obsessão para provar sua inocência”, relatou Florestan, na primeira matéria publicada sobre a conversa.

Em trecho divulgado em vídeo pelas redes sociais, Lula diz que tem obsessão em desmascarar o “Dellagnol e sua turma, e todos aqueles que me condenaram, ficarei preso cem anos. Mas não trocarei a minha liberdade pela minha dignidade. Quero provar a farsa montada. Não tenho ódio e nem guardo mágoa”.




“Eu tenho certeza de que durmo todo dia com a minha consciência tranquila. E tenho certeza de que o Dallagnol não dorme, que o [ministro da Justiça e ex-juiz Sergio] Moro não dorme.”

Sobre o governo atual, afirmou: “Vamos fazer uma autocrítica geral nesse país. O que não pode é esse país estar governado por esse bando de maluco que governa o país. O país não merece isso e sobretudo o povo não merece isso”.

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E comparou o tratamento da mídia a ele e ao atual governo. “Imagine se os milicianos do Bolsonaro fossem amigos da minha família?”, questionou, lembrando o filho do presidente, Flávio Bolsonaro, que empregou familiares de um miliciano foragido da Justiça em seu gabinete quando era deputado estadual pelo Rio.



A morte do irmão Vavá, em janeiro deste ano, e o neto, Arthur Araújo Lula da Silva, de 7 anos, dois meses depois, foram os momentos mais duros para Lula. “Esses dois momentos foram os mais graves”, lembra ele, citando também a perda do ex-deputado Sigmaringa Seixas, morto no final do ano passado. “O Vavá é como se fosse um pai pra família toda. E a morte do meu neto foi uma coisa que efetivamente não, não, não… [pausa e chora]. Eu às vezes penso que seria tão mais fácil que eu tivesse morrido. Porque eu já vivi 73 anos, eu poderia morrer e deixar meu neto viver.”