Submissão a Trump abre crise entre aliados de Bolsonaro

O anúncio feito pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), chanceler informal do Brasil, de transferir a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, com um boné de Donald Trump, abre uma crise com dois polos que apoiam o bolsonarismo: os militares e o agronegócio; de um lado, produtores rurais devem perder bilhões em exportações duramente conquistadas, ameaçando o emprego de milhões de brasileiros; de outro, militares nacionalistas se espantam com a destruição da política externa. “É uma decisão que não pode ser tomada de afogadilho, de orelhada”, diz Mourão




247 – O primeiro choque anunciado do governo Bolsonaro está desenhado. Ele ocorrerá entre o chanceler informal do Brasil, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e duas forças poderosas que apoiam o bolsonarismo: o agronegócio e os militares nacionalistas. A crise inevitável veio à tona no dia de ontem quando, com um boné de Donald Trump na cabeça, Bolsonaro filho anunciou a mudança da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, decisão que contraria os interesses econômicos nacionais e apenas evidencia a submissão da família Bolsonaro a Trump e ao líder israelense Benjamin Netanyahu.

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“A questão não é perguntar se vai, a questão é perguntar quando será”, afirmou Eduardo (saiba mais aqui). O problema é que, com isso, o Brasil poderá perder bilhões em exportações, concentradas justamente no agronegócio. Juntas, as nações árabes são o segundo maior comprador de proteína animal brasileira. As exportações somaram US$ 13,5 bilhões em 2017 e o superávit para o Brasil foi de US$ 7,17 bilhões, enquanto o comércio com Israel é praticamente inexistente.



Por isso mesmo, de forma nacionalista e pragmática, o general Hamilton Mourão, vice-presidente eleito, concedeu entrevista na semana passada, em que deixou claro que o Brasil não poderia colocar os interesses nacionais em risco. “É óbvio que a questão terá que ser bem pensada. É uma decisão que não pode ser tomada de afogadilho, de orelhada. Nós temos um relacionamento comercial importante com o mundo árabe. E competidores que estão de olho se perdermos essa via de comércio. Há também uma população de origem árabe muito grande em nosso país, concentrada nas nossas fronteiras. Temos sempre que olhar a questão do terrorismo internacional oriundo da questão religiosa, que poderá ser transferida para o Brasil se houver um posicionamento mais forte em relação ao conflito do Oriente Médio”, afirmou Mourão, em entrevista à Folha de S. Paulo, há uma semana.

Ou seja: Mourão deixou claro que não apenas os interesses econômicos do Brasil estão ameaçados com a postura de Eduardo Bolsonaro, como também a própria segurança nacional – uma vez que o país poderá vir a se tornar alvo de ações terroristas caso confirme sua submissão total aos Estados Unidos e a Israel.

Em entrevista recente à TV 247, o sociólogo Marcelo Zero explicou que a postura da família Bolsonaro prejudica até as relações de longo prazo com os Estados Unidos, uma vez que Trump enfrenta forte oposição interna e pode vir a ser um fenômeno passageiro. Confira:

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