Financial Times diz que família Bolsonaro tem “histórico de associação” com milícias do Rio

Um dos principais porta-vozes do liberalismo inglês, o jornal Financial Times desta segunda-feira (25) destaca as suspeitas de ligação do clã Bolsonaro com as milícias e o envolvimento de milicianos com o assassinato da “articulada e carismática” vereadora Marielle Franco, “cuja campanha contra a corrupção e a violência policial fez dela uma estrela em ascensão da política do Rio de Janeiro – uma conquista improvável para uma mulher negra e gay de uma das as favelas da cidade”, diz a reportagem.

Em longa reportagem, ilustrada com uma foto do desfile da campeã do Carnaval, a Estação Primeira de Mangueira e com direito a destaque na página principal da publicação na internet, o jornalista Jonathan Wheatley fala do “poder paralelo das milícias do Rio de Janeiro no Brasil de Bolsonaro”.

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“O assassinato de (Marielle) Franco também está levantando questões desconfortáveis ​​para Jair Bolsonaro, o novo presidente de extrema-direita do Brasil. Figuras de longa data na política do Rio, o Sr. Bolsonaro e seus filhos têm um histórico de associação com pessoas próximas de membros conhecidos e suspeitos da milícia”, diz o FT.

Segundo a reportagem, os “holofotes” sobre as milícias se chocam com o plano de segurança que Bolsonaro está propondo e a filosofia que o ajudou a ser eleito. “O presidente acredita que a polícia deveria ter mais liberdade para contra-atacar suspeitos de crimes. No entanto, a morte de Franco sugere que a raiz de pelo menos parte da violência que atinge tantas cidades brasileiras é o olho cego que as autoridades lançam sobre as milícias que agem como um estado quase paralelo”.

Máfia made in Rio


Comparando a atuação das milícias do Rio de Janeiro com a máfia italiana, o Financial Times levanta declarações de apoio de Jair Bolsonaro aos grupos criminosos e fala do senador Flávio Bolsonaro (PSL/RJ) que homenageou milicianos e empregou parentes deles em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) quando foi deputado estadual.

“Até novembro, Flávio – então deputado na assembléia estadual do Rio – empregava em seu escritório a esposa e a mãe de Adriano Magalhães da Nóbrega, um fugitivo da justiça acusado de liderar o Escritório do Crime, esquadrão da milícia que se acredita ter participado do assassinato de Franco. Ele dispensou os dois quando o emprego deles se tornou público”, diz a reportagem.

Leia a reportagem completa (em inglês) no Financial Times

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