Homem que ameaçou repórter da Globo é advogado bolsonarista e fã de Moro
Erik Procópio de Moura é o nome do homem que ameaçou o repórter da Rede Globo, Carlos de Lannoy, após reportagem feita pelo mesmo no Fantástico deste domingo sobe o fuzilamento de uma família no Rio de Janeiro.
Procópio escreveu:
“Mexeu com o Exército, assinou sua sentença! Sua família vai pagar! Aguarde cartas!”, diz um trecho do post.
Incomodado com a ameaça, Carlos promete levar o caso para a Justiça.

Erik é um conhecido militante da direita no Rio Grande do Norte. Ele é advogado e, de acordo com informações, pertence a uma família influente de juristas da capital potiguar.
De acordo com levantamento desta Fórum, Eric foi nomeado, em 8 de março de 2018, pelo então governador Robinson Faria (PSD-RN), para exercer o cargo de provimento em comissão de Chefe de Grupo Auxiliar C-1, do Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN).
A assessoria de comunicação do Detran-RN informou à Fórum que Procópio não trabalha mais no órgão.
A Fórum tentou contado com Erik Procópio por email e telefone, mas não obteve contado até o fechamento desta reportagem.
Foram enviadas as seguintes perguntas ao advogado:
Minutos depois de fazer reportagem no #showdavida sobre mais uma morte em blitz do @exercitooficial recebi essa ameaça no meu Instagram. Não ficará assim. pic.twitter.com/xRMkUYOYVV
— Carlos de Lannoy (@CarlosdeLannoy) 8 de abril de 2019
Um perfil de Twitter com o seu nome ameaçou o jornalista Carlos de Lannoy na noite deste domingo.
Posto isto, gostaria de fazer algumas perguntas:
Foi você quem ameaçou o jornalista? Em caso positivo, por quê?
Ainda em caso positivo, você é advogado, portanto está ciente que ameaça deste tipo é crime. O que você pretende fazer?
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O jornalista vai te processar. Como você pretende se defender?
Entenda o caso
O carro de uma família foi atingido por mais de 80 disparos, segundo perícia realizada pela Polícia Civil. Cinco pessoas estavam no carro e iam para um chá de bebê: pai, mãe, uma criança de 7 anos, o sogro e uma mulher.
Os militares envolvidos no caso foram ouvidos, segundo a Polícia Civil, pelo próprio Exército — que entendeu que a investigação deveria ser militar. A Polícia Civil, no entanto, vê indícios para prisão em flagrante.
Reportagem do portal G1 nesta segunda-feira informa que o delegado Leonardo Salgado, da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, disse neste domingo que “tudo indica” que os militares do Exército que mataram Evaldo, atiraram ao confundirem o carro com o de assaltantes.
Evaldo, de 51 anos, morreu na hora. Ele era músico e segurança O sogro dele, Sérgio, foi baleado e hospitalizado. A esposa, o filho de 7 anos e uma amiga não se feriram. Um pedestre que passava no local também ficou ferido ao tentar ajudar.
Logo após a morte, o Comando Militar do Leste (CML) negou que tenha atirado contra uma família e disse que respondeu a uma “injusta agressão” de “assaltantes”. À noite, em outra nota, informou que o caso estava sendo investigado pela Polícia Judiciária Militar com a supervisão do Ministério Público Militar.
Uma amiga da família, que estava dentro do carro, contestou a versão do Exército e disse que os militares não fizeram nenhuma sinalização antes de abrir fogo contra o veículo.
Veja a matéria do Fantástico feita pelo repórter que mostra o que aconteceu