Ao lado de Trump, Bolsonaro evita descartar opção bélica contra a Venezuela

Carta Capital

Ao lado do presidente americano, Bolsonaro diz ainda defender ‘família tradicional’ e combater fake news


A primeira e aguardada entrevista coletiva de Bolsonaro com Trump durou cerca de vinte minutos e deixou no ar tempo bastante nebulosos para o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Perguntado sobre a possibilidade de atuação militar no país, o líder americano usou a resposta vaga – e abrangente – de sempre: “Todas as opções estão abertas.”


O brasileiro, por sua vez, usou a falta de habilidade para responder e insinuar um plano em processo. “Há certas questões que, se você divulgar, deixam de ser estratégicas”, disse Bolsonaro. E seguiu com algo para colocar a tropa da fronteira em posição de sentido: “Tudo que for definido aqui será honrado.”

Em fevereiro deste ano, os EUA pressionaram o Brasil para utilizar sua força militar no país vizinho, que proibiu entrada de ajuda humanitária. Na época, o Palácio do Planalto informou que a operação na região já era feita em coordenação com os americanos, mas descartou o envolvimento físico de Washington ou de militares brasileiros do lado de lá da fronteira.

Donald Trump se referiu a Maduro como “marionete de Cuba e Nicarágua” e elogiou o Brasil por ter reconhecido Juan Guaidó como presidente legítimo da Venezuela. Bolsonaro associou o país vizinho ao Foro de São Paulo e disse que esse período se encerrou no país.

“Chegou o ocaso do socialismo em nosso hemisfério”, disse o presidente americano. Ele afirmou aos jornalistas que o povo da Venezuela clama por democracia e fez duras críticas ao momento econômico que se passa no país. “Como pode o país mais rico se tornar o mais pobre?”.

Bolsonaro se fez muito aberto a novas negociações com os EUA. Para o presidente, os setores privados das duas nações precisam continuar conversando. “Sempre fui um admirador dos EUA e isso aumentou com a sua presença na presidência. Abrimos um capitulo inédito da relação do brasil com os EUA. Essa é a hora de superar”, disse.

Trump também prometeu estreitar as relações de comércio e apoiar a entrada do Brasil na OCDE. “Não temos nenhuma hostilidade com o Brasil, como aconteceu antes. Zero hostilidade da minha parte.”

Quando questionado sobre China, e o fato dos EUA estar negociando com o país asiático, Bolsonaro disse que o comércio com todos os países continuará, mas sem o viés ideológico. “Queremos uma América grande e um Brasil grande também”.

As críticas do bolsonarismo à China “comunista” se avolumam desde a campanha eleitoral. Em outubro, ainda como candidato, Bolsonaro queixou-se de que o país “não está comprando no Brasil, ela está comprando o Brasil”.

A mudança de percepção tem a ver com as reclamações dos ruralistas, grandes apoiadores de Bolsonaro. Representantes de diversos setores do agronegócio estão alarmados com a beligerância contra os chineses, que compram todo ano 35 bilhões de dólares em produtos agrícolas do Brasil. Esta montanha de dinheiro é uma das principais responsáveis pelo lucro do setor, pelo superávit na balança comercial brasileira e pela entrada de divisas no País.

Para encerrar, Trump lembrou que os Estados Unidos foram o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil, em 1822, e concluiu que os dois países são as duas maiores democracias e as duas maiores economias do hemisfério ocidental.

Outras fontes: El País Brasil

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