Mourão critica reajuste do salário mínimo acima da inflação

Blog do Jamildo UOL

Em evento nessa terça-feira (26), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) fez críticas ao reajuste do salário mínimo acima da inflação. Segundo Mourão, essa política produz uma “contradição”, relata o UOL. O general da reserva a chamou ainda de “vaca sagrada” que precisa mudar junto com o sistema previdenciário.

“Governos anteriores aumentaram além da inflação e produziram uma contradição, na qual as classes mais favorecidas recebem mais do que as menos favorecidas”, disse o vice-presidente.

Para Mourão, as tais “vacas sagradas” vêm “lá de trás e até hoje são responsáveis por muitos dos nossos problemas”. Uma delas seria “o salário mínimo que não é mínimo”. Segundo o jornal Estado de São Paulo, a participação do vice-presidente em eventos com empresários e políticos já rendeu críticas de colegas do próprio governo, que veem nesse tipo de movimento tentativa de assumir um papel de protagonista no governo.

Empresários ouvidos pela reportagem afirmaram que Mourão tentou contemporizar a crise entre o Congresso e o governo. Em resposta, os empresários afirmaram que a maior preocupação é quanto à aprovação da reforma da Previdência, considerada essencial para o equilíbrio das contas públicas. No início do ano, a reforma era dada como certa. Nesta terça-feira, os mais otimistas falavam em uma reforma tímida. Para esses mesmos empresários, a permanência de Paulo Guedes também era uma preocupação, dado o desgaste do ministro da Economia em fazer prevalecer a agenda econômica.

Na Fiesp


No primeiro compromisso do dia, Mourão pregou “diálogo” e pediu “confiança” nos líderes do governo. Depois de ressaltar que sua presença na reunião atendia orientação do presidente Jair Bolsonaro, disse que o bom senso tem de “sobreviver”.

LEIA TAMBÉM:

“Temos de dialogar com eles (parlamentares) e não fugir ao diálogo. Vai levar pedrada? Vai, faz parte da vida política e todos aqui sabem muito bem que minha experiência política é baixíssima. Mas o bom senso tem de sobreviver nessas horas.”

O evento com o vice-presidente seria realizado inicialmente em um auditório no 15.° andar da sede da Fiesp, na Avenida Paulista, com capacidade para 300 pessoas. Como a demanda foi maior que o esperado, o encontro teve de ser transferido para o Teatro do Sesi, no subsolo do prédio, onde cabem 450 pessoas sentadas. Quem não conseguiu entrar, pode acompanhar o discurso por um telão do lado de fora do teatro.

Em uma rápida declaração à imprensa antes da reunião na Fiesp, Mourão disse que é preciso conduzir reformas que interessam ao País e declarou saber das “angústias e dúvidas” que estão sendo levantadas sobre a proposta do governo para a Previdência. Depois do evento, ele não deu mais entrevistas.

Com Agência Estado